Até outubro as atenções da Câmara e do Senado voltavam-se para a reforma política como todo cidadão, pela manhã, debruçava-se sobre o café-com-leite, o pão e a manteiga.
Era raro o noticiário político que deixava de dedicar-se, diariamente, às diversas propostas em circulação no Congresso. Financiamento público de campanhas, interdição de contribuição privadas para as campanhas, voto em listas partidárias, diminuição do número de partidos, redução do mandato dos senadores, proibição de coligações partidárias em eleições proporcionais e muito mais coisa.
Nas comissões técnicas das duas casas discutia-se e até se votava algumas dessas mudanças como prioridade dos trabalhos parlamentares. Senão a panacéia universal, a reforma política resolveria todos os problemas nacionais, iria aprimorar a democracia e estabeleceria a verdade eleitoral.
De repente, não se fala mais no assunto. Sumiu, mais do que do noticiário, das preocupações da classe política. Ficou para as calendas.
A razão é simples: se aprovada até 6 de outubro, um ano antes das eleições de 2012, a reforma política valeria para aquele pleito. Depois ficaria, como ficou, apenas para as eleições de 2014.
Até o Lula desistiu, ele que até então se apresentava como campeão das mudanças. E não foi por causa da doença que o acomete. Simplesmente, ficou claro que o imediatismo preside as iniciativas políticas.
Se era para melhorar as perspectivas de cada um, valia o empenho. Já que a Constituição proíbe alterações na lei eleitoral no período de doze meses anterior às eleições, elas não interessam mais.
Apenas em 2013 serão de novo cogitadas, por conta de 2014, mas o risco futuro é o mesmo do que acaba de passar. A gente fica pensando se tudo não configura imensa farsa, ou seja, deputados e senadores fingem que cuidam da reforma, mas, no fundo, não querem reforma alguma.
Preferem deixar tudo como está, porque foi com as atuais regras do jogo que se elegeram, e assim esperam continuar se elegendo. Isso talvez explique porque, de tanto empenho, caíram em tanto marasmo.
Simples jogo de cena.

Nenhum comentário:
Postar um comentário