A cena é
contraditória e intrigou quem enxerga em edifícios tombados pelo patrimônio
histórico a necessidade de preservação: desde terça-feira, um entulho precioso
ocupa a calçada em frente ao Instituto Histórico e Geográfico do RN. Em obras
para reparos emergenciais, o edifício construído em 1906 – e tombado desde 1984
– teve parte de seu piso de ladrilho hidráulico retirado antes de um parecer
técnico e a devida autorização por parte do Iphan-RN. O fato causou mal estar
entre membros da atual diretoria, empossada em março deste ano, e ainda não se
sabe o que será feito para tentar minimizar ou mesmo contornar a situação. O
piso não era o original, mas estava instalado no local há pelo menos cinco
décadas – período estimado.
Nesta
quinta-feira, haverá reunião entre a diretoria do IHGRN e técnicos do Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no RN para esclarecimentos sobre o
ocorrido. Onésimo Santos, superintendente do Iphan-RN, confirmou que a mais
antiga entidade cultural do RN deu entrada com pedido solicitando orientação e
sondagem do piso. “A documentação estava incompleta, então solicitamos outros
documentos para emitirmos um laudo técnico. A remoção foi feita sem
autorização, não levaram em consideração nossa diligência e, independente do
valor histórico, não esperaram o parecer do Iphan-RN”, avaliou Santos.
Ormuz
Simonetti, vice-presidente da entidade, autorizou a remoção sob a justificativa
de que o piso estava afundando. “Havia rachaduras por todo lado e a ameaça real
de desabar por completo, muitas partes estavam ocas. Conversei com algumas
pessoas e a restauração era difícil de ser feita. O reaproveitamento do
material retirado também é inviável”, garantiu Simonetti. A presidência do
IHGRN é ocupada por Valério Mesquita, que tem suas ressalvas quanto a real
necessidade da atitude radical.
Ele disse
que já visitou uma fábrica aqui em Natal, que trabalha com esse tipo de
ladrilho, para tentar encontrar modelos parecidos para repor quando for feita a
obra definitiva de ampliação e modernização do IHGRN. De acordo com Ormuz, o
metro quadrado do ladrilho hidráulico custa em média R$ 150, “pois o processo é
todo artesanal”.
O
vice-presidente adiantou que o novo projeto inclui criação de um espaço no
subsolo e um mezanino, e isso implicaria em “fazer esse serviço mais cedo ou
mais tarde. Até lá, como vamos ter que
trocar tudo de novo depois, o plano é colocar uma cerâmica de baixo custo”. O
projeto para ampliação e modernização do Instituto está orçado em R$ 8 milhões,
mas esses recursos ainda não possuem fonte definida. Vale lembrar que a emenda
ao orçamento do Estado em 2013 destinando R$ 200 mil, aprovada no início deste
ano por unanimidade na Assembleia Legislativa, até agora não foi liberada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário